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Pensando em binário, caminhando entre átomos
January 31

Estágios de Maturidade do Caçador de Onças

 
Inocente

Nunca ouviu falar em onças. Se estiver frente a frente com uma onça ele nunca vai saber que ela pode ser caçada e nem imagina o quanto é perigosa.

Exposto

Já ouviu alguns ‘causos’ e leu em alguma revista de consultório que onças podem ser caçadas. Talvez tenha até alguns amigos que já caçaram onças e aprendeu alguns fatos simples, porém intrigantes, sobre as onças e seus hábitos. Possui a motivação para saber mais.

Aprendiz

Este participou de um treinamento oficial de 5 dias (uma semana) denominado : ‘Onças – Módulo Básico’. Durante este treinamento os participantes juntam-se em grupos de três ou quatro e praticam : ‘Caça a ‘oncinhas’’, sempre acompanhados de perto pelo instrutor. Depois de algumas ‘caçadas’, na sexta-feira à tarde todos estes grupos já caçaram alguns bichinhos.

Ele preenche sua ficha final de avaliação atestando que “... caçar onças é muito útil e certamente acrescentará muito ao meu currículo...”. Entretanto está pouquíssimo preparado para o mundo real.

Praticante

Completado o estágio de treinamento anterior, ele possui enorme auto-confiança. Ele está pronto para transcender a experiência com as ‘oncinhas’ e deseja ansiosamente sair para caçar as onças grandes, onças de verdade.

Seu chefe também está ansioso para enviá-lo em caçadas maiores, infelizmente o nosso caçador de onças sai para a caçada sem um mapa sequer, e sem uma arma de calibre suficiente para o tamanho das onças,ou seja ‘... num mato sem cachorro...’.

No auge da caçada, frente à frente com o bicho, é provável que ele se esqueça, ou confunda o treinamento em sala de aula e precipite o inevitável desastre.

É tipico que alguns realmente acertem algumas onças, mas é mais provável que sejam devorados por elas.

Profissional

Se sobreviver aos traumas anteriores ele terá adquirido frieza suficiente para enfrentar o bicho. Conhece muito bem o mato, e adquiriu e aperfeiçoou uma série de técnicas para caçar.

De fato ele nem sabe como conseguira sobreviver anteriormente sem estas técnicas. Sua mira torna-se precisa e infalível. O seu chefe lhe indica a onça e ele a caça dentro do orçamento e do prazo estabelecidos.

Este é o caçador comumente apresentados em ‘causos’, ou em material publicitário sobre treinamentos para caçar onças.

Mestre

Estes internalizaram não só a mecânica da caçada, mas também todos os princípios subjacentes às técnicas.

Eles conhecem muito mais do que as regras básicas, sabem porque elas existem e até quando é possível quebrá-las. Por exemplo : um aprendiz, ou um praticante, pode tentar caçar a onça com o vento não a seu favor e acidentalmente assustá-la, ou até mesmo atraí-la antes de estar preparado. Um mestre, entretanto, poderia utilizar um ‘desodorante de onças’ e seguir a onça com o vento à favor e surpreendê-la de uma maneira, ou posição, inesperadas. Devido ao seu conhecimento profundo ele é capaz de treinar outros em técnicas básicas e avançadas de caçada.

Pesquisador

Estes são autores de livros de auto-ajuda, artigos sobre caçadas e dão palestras em seminários. São exímios contadores de ‘causos’, possuindo um enorme repertório tanto de estórias, quanto de troféus e medalhas.

Eles estão envolvidos em extender e aumentar o domínio da ‘arte da caça às onças’. São também responsáveis pela criação de nomenclaturas, normas e regras de caça. Podem também estar envolvidos na criação de uma nova metodologia de caça as onças e na criação de um padrão de qualidade de caçadores.

January 30

Charles Darwin e o Open Source

 

Um jovem estudante de Ciências da Computação, trancado em seu quarto e debruçado em seu microcomputador, desenvolve um programa que irá mudar o mundo. Linus Thorvalds, tímido adolescente finlandês, publica em agosto de 1991 um conjunto de arquivos contendo um novo sistema operacional (o programa central que controla e facilita a utilização dos computadores). Estes arquivos foram chamados de Linux. O conteúdo deste conjunto de arquivos, passa então a ser alterado por dezenas, depois centenas e depois milhares de pessoas. A cada alteração, o código fonte do programa evolui para uma versão melhor, ou seja mais rápida e mais confiável.

Darwin então estava certo? É possível. A sua teoria pode ser comprovada na construção comunitária de programas de computador, o open source. A colisão de tecnologias e idéias envolvendo a Internet com o livre acesso das pessoas e a informação, criou um universo perfeito para que o evolucionismo de Darwin pudesse ser aplicado. Segundo ele, a seleção natural fundamenta-se em três fatos: o primeiro é de que existe um fenômeno como a hereditariedade, onde uma planta, ou animal, produz descendentes que lhe são semelhantes. O segundo fato é de que estes descendentes não são completamente análogos aos pais, dêles diferindo através de variações. O terceiro fato em que se assenta a teoria de Darwin é o de que alguns dos padrões desta variação espontânea são bloqueados, em virtude da existência de diferentes graus de viabilidade, a maioria dos quais tende a diminuir a probabilidade da sobrevivência da espécie. A seleção é frugal: ela penaliza formas que impõe custos sem oferecer benefícios.

O primeiro código fonte criado por Linus e publicado na Internet, permitiu a sua cópia para os computadores de outros programadores, surge a hereditariedade. Cada um destes programadores passou a entender e alterar as características de parte deste código, surgem as variações. Entretanto, nem todas estas alterações no código foram aceitas e registradas por Linus, que mantém até hoje o controle das versões, por verificar que as mudanças realizadas não eram consistentes com a existência e a continuidade do sistema. O Linux continua evoluindo graças a esta evolução contínua, operada voluntáriamente por centenas de pessoas,

Darwin após publicar “A Origem das Espécies”, e comprar uma boa briga com os adeptos da criação divina, procurou entender como os sentidos, a mente e o comportamento dos organismos podem influenciar na evolução; passando a trabalhar em segredo para fugir das críticas.

Hoje a comunidade de open source desenvolveu-se em um complexo ecosistema, onde cada espécime preocupa-se também em garantir sua evolução, e sobretudo sobreviver ao mercado.

O fundamental é perceber de que o software livre não está ligado a tecnologia. Está ligado as pessoas. Ele não está ligado ao código fonte (a origem de todos os programas de computador), e sim aos usuários finais, e a como fornecer-lhes a possibilidade de utilizar o programa da maneira que acharem melhor, modificá-lo e depois compartilhar estas alterações com outros. Tal qual um organismo vivo tentando se adaptar, sobreviver e se reproduzir.

January 29

Carnaval na interoperabilidade

 

Neste carnaval o Samba vai ficar bem melhor. Apesar do bloco ser formado por advogados e profissionais de tecnologia, a animação promete. Mas para que fique claro, o Samba não é música, mas sim um projeto de software livre que implementa os serviços de compartilhamento de arquivos utilizados na plataforma de servidores Windows em sistemas GNU/Linux.

Um acordo inovador, firmado no último dia 20 de dezembro, permitirá que a documentação do protocolo denominado WSPP (Microsoft Work Group Server Protocol), utilizado no compartilhamento de arquivos em servidores Windows e fundamental para a existência do projeto Samba, seja entregue à entidade PFIF (Protocol Freedom Information Foundation).

Esta organização sem fins lucrativos irá coordenar o acesso e a utilização das informações pela comunidade de desenvolvedores de software livre. Apesar de restringir o acesso à documentação, o acordo permite que o código fonte das aplicações que programam o protocolo possam ser distribuídos livremente segundo os termos das versões 2 e 3 da GPL (GNU Public License).

O Samba é formado por um grupo de técnicos responsável por manter o programa em funcionamento e pelo desenvolvimento de novas características e aplicativos que sejam do interesse da comunidade que usufrui do projeto. O novo acordo de interoperabilidade permite que o Samba esteja atualizado com todas as mudanças mais recentes do Windows, alimentando a comunidade de software livre com o que há de mais novo em termos de desenvolvimento tecnológico. Também por meio dos protocolos do Windows, o Samba poderá aperfeiçoar seu software gratuito voltado ao uso em escritórios de pequeno porte para a administração e a conexão com redes, além do uso compartilhado de impressoras, por exemplo.

Este movimento confirma uma tendência atual da indústria de TI, que gradualmente passa a abrir protocolos e formatos de arquivos anteriormente proprietários; como por exemplo, o formato de arquivos Open XML utilizado na suíte Office. Além de oferecer a interoperabilidade entre sistemas, o respeito ao legado, a possibilidade de escolha e inovação, o Open XML beneficia toda a indústria local de software, seus clientes e usuários.

O ritmo do momento na ala da tecnologia da informação é que empresas e sistemas trabalhem em parceria para aproximar pessoas, redes e ambientes e promover uma conexão cada vez maior entre eles. Iniciativas como esta, que reúne Samba e Windows, ajudam a manter a harmonia de uma bateria que nunca pára de tocar.

O primeiro passo

Benvindos ao blog.
 
Aqui começa uma jornada de alguns megaciclos.
 
Pretendo conversar sobre como a maturidade do mercado de open source e de suas soluções,
em conjunto com uma nova postura da Microsoft, podem trazer avanços no segmento de TI.
 
Aqui também irão aparecer muitas de minhas histórias e crônicas, acumuladas nestes anos de viagens.
 
 
 
 

Fabio Cunha

Occupation
Location
•Trabalha como ITPro Specialist na Microsoft.
•Foi gerente de programa do Laboratório de Interoperabilidade da Microsoft na UNICAMP.
•Participou da criação e fundação do PISO/RP , Pólo Industrial de Software de Ribeirão Preto, entidade que fomenta o desenvolvimento da indústria de software no interior do estado de São Paulo.
•Trabalha com infraestrutura e desenvolvimento de software em plataformas Windows e Unix desde 1983.
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